
Ei, você aí… você sabe o quanto isso dói? O quanto machuca, o quanto tortura, sabe quantas vezes eu me vi em caminhos sem saída, sabe quantas vezes eu chorei sozinha e mesmo cercada de pessoas, nenhuma delas parou para me ajudar? Você entende o que eu estou sentindo? Isso está acabando comigo aos poucos, me levando a fazer coisas que eu não quero, a pensar coisas que eu não quero, a me entristecer sem razões. Está me tirando a vontade de acordar, de sorrir, de ter a esperança de que o dia seguinte será melhor do que o último. Nada disso me faz sentido e nada disse tem algum valor. Acordar na mesma dura realidade todos os dias não é fácil, sabe? Abrir os olhos e saber que aquele será mais um dia entediante que te tirará todas as forças. Que você terá que forçar sorrisos boa parte dele, que você terá que olhar para certas pessoas fingindo estar tudo bem entre vocês, quando na verdade, as mágoas, os ressentimentos, tudo continua ali fazendo moradia em você, se alimentando de tudo que ainda lhe restou de bom e ainda assim o seu silêncio continua sendo o seu grito mais desesperado por alguma ajuda, por algo que possa te salvar de alguma maneira. Você tem que fingir que nada faz falta, que se você tivesse uma única oportunidade de fazer as coisas de uma forma diferente, você não faria. Você precisa fingir que não gostaria de voltar ao seu passado e ficar por lá mesmo, de simplesmente não ser necessário seguir em frente. Você precisa fingir o tempo inteiro, você nunca pode simplesmente ser o que é e respirar por alguns segundos, porque a vida te cobra o tempo inteiro que você continue mantendo-se forte e quando você desaba, todos te julgam, mesmo que nenhum deles saiba a metade do que está acontecendo, ou do que você está sentindo. No fundo, eu sempre digo que dessa vez vai ser diferente, mas eu sei que não. Eu já perdi a conta de quantas vezes eu disse que cansei e voltei atrás. Perdi a contas de quantas vezes disse que ia me afastar e não me movi do lugar. Perdi as contas de quantas ideias loucas para acabar de uma vez com isso se passaram pela minha cabeça… e talvez se eu tivesse tido coragem de acabar com isso, tivesse sido melhor. Então você se torna frio, direto, seu olhar se torna algo vazio, sua risada tem um tom forçado, seu sorriso perde o brilho… ninguém sabe o motivo, ninguém procura saber. E dói. Dói, machuca, tortura e você sofre calada. E o seu silêncio prossegue sendo o seu grito mais forte por ajuda. Gabriela A. (q-ueridanostalgia)

Eu sei que sou chata, insuportável, impossível de conviver e bla bla bla. Sei também que as pessoas se afastam de mim tão rápido, sem eu fazer esforço algum. Sou uma criatura traiçoeira, que não se dá bem com todo mundo. Eu sou assim, não tente me mudar. Com esse meu jeito já perdi muitas pessoas, como também ganhei. Não me culpo por isso, pois a vida é assim, com suas idas e vindas. Sou um quebra-cabeça de mil peças, que não é qualquer um que consegue montar. Sou um cubo mágico colorido que nem todos conseguem me descobrir. Sou aquela velha charada que ninguém consegue desvendar. Não é tão impossível me entender, a não ser que você não tenha paciência, e disso você precisa de sobra. Para toda mudança tem o seu por que. Eu sempre sou a quarta opção para tudo, já me acostumei em ser trocada a cada duas horas. É por isso que a cada dia que passa, mas eu não suporto as pessoas e amo os animais. É sociedade, estamos no mesmo caminho. Já estou cansada de ouvir as pessoas me chamarem de anti-social, mas aprendam não sou anti-social, a sociedade é anti-eu, e vice e versa. Não vejo por que sair, não preciso sair de casa para ser ignorada, não preciso sair de casa para ser trocada. Mas já me acostumei, sou um quebra-cabeça que ninguém quer montar, na verdade, ninguém nunca tentou. Ninguém nunca tentou me entender, na verdade até que tentaram, mas não demoraram muito e desistiram. Desistir, já me acostumei com essa palavra, é normal ver as pessoas desistirem de mim, é normal vê-las indo embora à procura de algo mais fácil, de alguém que não seja um quebra-cabeça tão difícil como eu. As pessoas hoje estão à procura de coisas fáceis, não se preocupam em tentar entender o difícil, não querem desvendar o mistério. Aprendi a conviver com isso, já me acostumei com a ideia de ser apenas mais uma peça em meio de milhares outras, apenas mais uma, apenas mais uma que não faz diferença alguma. Juliana & Ana (enfraquecidos)

Minhas mãos estão geladas, frias assim como meu coração. Não nego que o medo está tomando conta de mim. Estou tremendo, mas sinto que essa é a minha última saída, a minha única salvação, como alguns diziam. Meu coração, meus pensamentos, minha vida; tudo mudou, tudo piorou. Aquela intensa vontade de viver se foi, assim como todos aqueles momentos bons que vivi. As velhas lembranças foram apagadas assim como meus sorrisos. Posso dizer que não restou mais nada em mim. Nem um pouco de amor, nem mesmo um pingo de alegria. Falta-me tanto que eu até esqueci como era sentir aquelas sensações de quando se está feliz. Tudo que tenho agora é essa caneta que está prestes a acabar e esse papel amaçado, e de alguma estou tentando descrever tudo que sinto para que todos consigam ao menos entender a minha decisão. Às vezes eu paro e penso: “Não tinha que ser difícil? Deixar todos, abandonar tudo?” Porque eu não sinto isso, eu não sinto nada dês do dia que eu perdi a maior parte da minha vida, dês do dia em que meu coração foi levado embora. Estou assustada, estou confusa, estou com medo. Mas creio que vai ser rápido, sem dor. Perdoe-me. Perdoe-me, mas eu tentei. Eu juro que tentei. Foram dias, meses e até mesmo anos convivendo com esse vazio em mim, com essas pessoas vazias, com esse mundo sem objetivo nenhum. Pelo menos era assim que eu via tudo a minha volta. Juro que tentei esboçar o meu mais belo sorriso, juro que tentei me manter forte. Mas todas as minhas tentativas se tornaram inúteis quando todos os sentimentos ruins tomaram conta da minha vida, todas as lembranças que eu nunca quis relembrar, vieram à tona. […] Provavelmente você que está lendo isso, nem ao menos merece sofrer por mim, não merece ouvir minhas lamúrias e entender minhas dores. Porque eu não fui nada, eu não fiz nada. Eu fui insignificante. A única coisa que fui capaz de fazer foi deixar toda minha felicidade ir embora, assim, sem ao menos ter dado um pré-aviso de ida. E eu não consigo mais viver com essa dor, eu não consigo mais viver com esse vazio dentro de mim, não consigo mais viver com toda essa distância entre nós. Não consigo viver sem aquilo que me dava força, que me dava apoio, que me reerguia quando eu caia. Aquilo que levaram de mim, sem motivo e sem um por quê. E eu sei, ninguém será capaz de curar a ferida que essa perda deixou em mim. Nada será capaz de preencher esse vazio dentro de mim. E por tantos motivos, eu decidi também dizer adeus. Dizer adeus a todos aqueles que realmente me amaram, e perdoem-me por aqueles que fiz sofrer, mas minha dor era maior. Tão grande e arrebatadora, que nem eu mesma que dizia ser tão forte, consegui suportar. Essa me corroeu por dentro e logo atingiu-me por fora. Se meus olhos refletissem minha alma, ao sorrir todos chorariam comigo. Essa sou eu, a desequilibrada, sem vida na alma. E agora também, sem vida nenhuma. E agora sei que é bem melhor queimar do que apagar aos poucos. Amanda e Ana (enfraquecidos)